Bem verdade que o formato de seriado ficou popular através dos estadunidenses, mas também é verdade que o resto do mundo faz séries tão boas quanto. Falar sobre o mesmo assunto em países diferentes é uma tarefa interessante, afinal, as ideias, costumes, discursos e afins são opostos, o que dá ao espectador uma noção de que nem tudo é a mesma coisa. Exibir a narrativa de um assaltado com reféns pode ser representado de maneiras bem diferentes nos Estados Unidos, ou na Espanha.

Em La casa de papel a tônica é exatamente essa. Já vimos uma história parecida em algum filme norte americano, é um assaltado com reféns, só que com algumas peculiaridades, e são justamente essas pequenas coisas que fazem da série uma grande sacada: um meticuloso emaranhado de situações em que não temos a menor ideia do que irá acontecer, tudo muito bem trabalhado com um refinado clima de tensão e suspense.

A história começa num quarto de hotel, a luz vermelha, uma mulher deitada com uma arma, ela ainda pensa sobre um assalto que não deu certo, seu noivo havia morrido, ela conseguiu escapar, está prestes a visitar sua mãe, até que um tipo estranho dentro de um carro lhe diz que ela será presa caso acabe indo, e diz que tem uma proposta de negócio para ela, este homem apenas se apresenta como O professor (Alvaro Morte).

Nesse momento, começamos a compreender um pouco mais da história, quem nos conta é a mulher, que será chamada de agora em diante de Tokio (Ursula Corbero). Com uma narrativa no futuro, ela nos diz tudo que aconteceu no assaltado, desde de seu começo com o recrutamento, até a parte que cessa (no Brasil a série foi dividida, a Netflix vai liberar a segunda parte apenas em Abril).

Oito assaltantes com suas especialidades, são eles: Tokio, Rio (Miguel Herran), Denver (Jaime Lorente), Berlin (Pedro Alonso), Moscou (Paco Tous), Nairobi (Alba Flores), Helsinque (Darko Peric) e Oslo (Roberto Garcia). O professor dá algumas regras, nada de relações pessoais, nada de informações pessoais e nada de nomes verdadeiros, todos eles agora tem nome de cidade, serão cinco meses numa propriedade afastada da cidade para treinar o assalto, cada etapa do plano de resposta da polícia nas horas que vão se seguir.

E prontamente já temos a ação logo no primeiro episódio, o objetivo é deixado claro desde de o começo, tanto em sua forma como características, eles não vão assaltar um banco, mas sim a casa da moeda da Espanha. Do outro lado, temos a polícia da Espanha com todos os seus aparatos, responsável pelo caso, a inspetora Raquel Murillo (Itziar Ituno) tem pouco tempo para agir, terá uma série de situações para superar, incluindo seu recém divórcio, o estresse é evidente, além de uma ampla cobertura da mídia e poucas informações sobre o que está acontecendo de verdade dentro da casa da moeda.

Em determinado momento, desenvolvemos uma síndrome, a chamada: Síndrome de Estocolmo. Começamos a gostar dos bandidos, assim como alguns reféns também. Apesar dos pesares, há um certo traço de humanidade em toda essa tragédia, uma ética fundada através de uma série de regras morais sobre os comportamentos ali, mas nem sempre as coisas seguem como o planejado, e apesar de tanto tempo, pontas soltas podem aparecer.

El casa de papel nos encanta por sua capacidade de ser simples e difícil de entender ao mesmo tempo, justamente por não nos dar a ideia geral logo de cara, apesar de já termos algumas noções, somos jogados assim como os reféns numa casa que não nos pertence, e dessa forma ficamos sufocados, tendo que decidir entre: aceitar o que é demonstrado, ou tentar adivinhar o que acontecerá. Ambas as escolhas são tensas, mas gostamos disso. A primeira parte nos entrega um dilema, resta agora saber como essa trama será concluída em Abril.

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Copyright © 2017 Tapioca Mecânica.
Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Luke Design Studio




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