The Coldest City
 é certamente um nome mais legal que Atômicaou Atomic Blondie. A história em quadrinho de Antony Johnston e Sam Hart ganhou uma recente adaptação tendo como diretor o relativamente estreante David Leitch que conseguiu emplacar algumas de suas marcas estéticas já vistas em algumas cenas de John Wick(2014). O resultado é impressionante, apesar do filme pecar em alguns aspectos que serão descritos mais na frente.

Leitch faz parte de um seleto grupo de stunts (dublês) de cenas de ação que estão começando a se destacar como diretores ou atores, também é o caso de Sam Hargrave que interpreta James Gasciogne no filme e já dirigiu grupos de stunts em filmes como Esquadrão Suicida e Capitão América: Guerra Civil.

Esse núcleo de ação é praticamente o coração do filme, mas há também a tentativa bastante interessante de fazer um filme histórico, captar um momento de ápice da história do século XX (A queda do muro de Berlim) e as intrigas entre espiões. Tudo pode mudar em fração de segundos, e é essa Alemanha decadente que é exposta na obra.

Vendo o potencial de The Coldest CityCharlize Theron compra os direitos para adaptação e junto com David Leitch começa a trabalhar no que é hoje Atômica. O filme tem cenas que funcionam, muita boa música, uma Berlim cheia de espiões e reviravoltas, femmes fatales, soviéticos e muita ação.

A história

A agente Lorraine Broghton (Charlize Theron) está em sua banheira de água gelada numa Londres também gelada, enquanto se olha no espelho e vê seus múltiplos arranhões e roxos, se lembra do passado, do que aconteceu dias atrás. Com o amanhecer do dia ela chega num prédio em que é recebida por homens de gravata, estilosa e poderosa, entra numa sala com paredes de vidro, Eric Gray (Toby Jones) começa o relatório, ele quer saber das atividades de Lorraine em sua missão na Berlim unificada agora. Junta-se a eles o agente da CIA Kurzfeld (John Goodman).

O interrogatório funciona como a máquina narrativa dos últimos acontecimentos de Lorraine em solo Alemão. Ela é enviada até lá para recuperar a lista de todos os agentes duplos repassada por um agente desertor da STASI chamado Spyglass (Eddie Marsan). A lista é essencial para que as atividades das agências de inteligência não tenham seus operativos mortos – Acho que já vimos isso antes em Missão Impossível, não? -, desse modo Berlim é o cenário perfeito para essa ação que o filme impõe com muita música e vodka.

Ao chegar em Berlim, Lorraine já é muito bem recebida por agentes da KGB. Ao encontrar seu contato lá, o curioso agente Daniel Percival (James McAvoy) ela começa a entender que nesse ninho de ratos não dá para confiar em absolutamente ninguém. Com o passar dos dias, Lorraine vai se envolvendo numa rede de intrigas e sua vida está correndo perigo, ao encontrar a agente francesa Delphine (Sofia Boutella) ela vai ligando os pontos de uma trama que começa a ficar curiosa e ao mesmo tempo confusa.

Adaptações, ok?

Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que não podemos exigir muito de adaptações pois os universos da arte são bem diferentes e amplos. Se algo funciona no desenho, pode não funcionar no cinema ou na televisão, é preciso ter em mente qual é o público alvo. No caso de Atômica, sabemos bem quem é o público alvo por causa de toda a estética do filme. Estamos diante de uma violência moderada que tem seus picos em momentos corretos, temos cenas que funcionam de uma forma bastante deslumbrante e temos personagens não tão bem construídos.

Se na Graphic Novel as coisas funcionam de um modo mais lógico maximizando os diálogos e minimizando a ação, no caso do filme não é o mesmo caso, por justamente ser uma mídia diferente. Mas nem sempre isso é tão ruim, chega um momento de nossas vidas que temos maturidade para entender que uma coisa é completamente diferente da outra. No caso de Atômicaessas mudanças são necessárias e temporais. Exemplos: Na adaptação é uma agente francesa, na HQ é um agente francês. Na adaptação Percival é novo, na HQ já é velho. O machismo de Percival é evidente nos dois casos.

Vale lembrar que a editora Darkside Books acabou de lançar a revista no seu novo selo de quadrinhos. Quem não conhece vale a pena conferir.



Então, vale a pena?

A experiência dentro da sala de um cinema é sempre empolgante por diversos motivos. Conferi o filme na UCI Kinoplex no Shopping Iguatemi Fortaleza no sábado e valeu muito a pena o ingresso. Atômica é o tipo de filme que lhe mistura diversos sentidos e é importante ficar atento aos detalhes. Se o sucesso de bilheteria realmente for alcançado talvez uma continuação esteja nos planos de Theron e Leitch, não seria de todo ruim ver a loira mais atômica do cinema de volta a ação alguns anos depois dos eventos desse filme, que tem no seu final em relação a HQ um gancho incrível para uma sequência.

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Copyright © 2017 Tapioca Mecânica.
Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Luke Design Studio




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