Mitologia Nórdica por Neil Gaiman

Mitologia Nórdica por Neil Gaiman

Muito antes de Donald Blake encontrar um pedaço de madeira que o tornaria o Deus do Trovão, havia o Panteão dos deuses nórdicos. Incontáveis divindades que hoje povoam o imaginário dos fãs do carismático personagem da Marvel, antes viviam na mente dos povos do Norte europeu.

O cultuado autor de fantasia, o inglês Neil Gaiman abandona suas imaginativas criações para se embrenhar em um estudo histórico dos mitos e lendas que o inspiraram desde criança. O livro Mitologia Nórdica, lançado em 2017 pela Intrínseca, é uma releitura romanceada das Eddas Poética e em Prosa, documentos únicos que guardam a memória dos deuses nórdicos.

Gaiman imprime toda sua paixão pelo tema em uma obra destinada a recuperar parte dessas lendas para o imaginário contemporâneo. Tentando ao máximo não interferir no desenvolvimento das narrativas extraídas das fontes de forma à traduzi-los para uma linguagem mais contemporânea da maneira mais fiel possível. Nesse processo apenas organiza cronologicamente o que seria o ciclo narrativo das lendas desse Panteão desde sua origem ate o crepúsculo, mais conhecido como Ragnarok.

A narrativa de Neil Gaiman continua envolvente e apaixonante, leva o leitor para as páginas do livro desde a introdução, onde conta sobre suas motivações e percalços na elaboração da obra. E então, assim que começamos a percorrer os contos, nos divertimos e surpreendemos em identificar as passagens utilizadas em diversas obras contemporâneas, seja nas adaptações em quadrinhos do próprio Thor, ou em episódios de séries de ficção científica, filmes de fantasia, entre outros.

 

 

 

Temos então, uma obra essencial para diferentes tipos de leitores, o documento base das mais diversas produções que acompanhamos. Enfim, mais livro divertido com selo de qualidade Neil Gaiman.

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Evangelho de Sangue por Clive Barker

Evangelho de Sangue por Clive Barker

Clive Barker é muito conhecido por criar clássicos do terror como Hellraizer, e cults, embora menos conhecidos, como Raça das Trevas, confiram o review nos links. Aqui em Evangelho de Sangue voltamos ao universo de Hellraizer onde encontramos um Pinhead muito mais agressivo que no livro no qual foi apresentado alguns anos antes. Logo na sequência inicial do prólogo ele já mostra todo seu nível de sadismo ao confrontar uma ordem secreta de magos que não sobrevive à visita do cenobita.

Em seguida passamos a acompanhar o detetive particular Harry D’Amour, ex-policial, que se especializou no sobrenatural depois de ter perdido seu parceiro para um deus bode que encontraram durante uma missão. Esse evento é narrado com detalhes e pormenores chocantes e que marcaram Harry a ponto de fazê-lo abraçar o mundo paralelo de monstros e demônios que a sociedade evita acreditar.

A segunda parte do livro começa com uma descrição do inferno feita pelo mago sobrevivente da introdução, Felixson. Através de seus olhos descobrimos que o inferno onde vivem os cenobitas é o mesmo da Bíblia, onde Lúcifer já reinou, mas agora se encontra desaparecido. O mais perturbador da descrição é que não vemos diferença com nossa sociedade atual, baseada na diferença social é controlada por uma força invisível da qual os residentes aceitam suas mazelas, sempre se apoiando na ideia que poderíamos estar em pior situação. É o controle pelo ostracismo e conformismo. Uma crítica de Barker? Talvez, mas que infelizmente conversa com nossa contemporaneidade de maneira extremamente incomoda.

As intenções de Pinhead começam a se tornar mais claras a partir da metade do livro, onde descobrimos que a ordem monástica dos Cenobitas foi destruída e o astro da cabeça de pregos cruza o inferno com um companheiro humano que é incumbido de registrar o novo evangelho, a nova ordem infernal. O responsável por testemunhar os acontecimentos é um dos amigos do detetive que, junto com outras quatro pessoas vai até o inferno na tentativa de resgate.

O livro é sadicamente divertido, pois somos hipnotizador pela violência visceral descrita por Barker, para os amantes do terror Trash, temos sangue jorrando das páginas em descrições de cenas que possuem uma perfeição que deixa qualquer leitor enojado. É gráfico, embora nos deparemos apenas com palavras, é cru e visualmente provocativo. Por outro lado, o autor consegue transitar facilmente de gênero, imprimindo um humor inesperado na figura da sagaz velhinha cega Norma Paine que em uma das sequencias negocia com o advogado recém morto, Carstoon Goode, uma “limpeza” dos resquícios de sua vida secreta ligada à magia.

Lançado pela editora Darkside Books, temos aqui aquela já tradicional qualidade editorial: capa dura e emborrachada com papel de alta gramatura. Todo o tratamento nos remete à um antigo tomo de magia, mas o mais impactante está reservado à capa: uma imagem da clássica de Cristo, mas estilizada e com o corpo do Pinhead no lugar.

Enfim, terror trash, visceral, mas também humor e aventura aguardam aqueles que decidirem descer ao inferno e enfrentar o Pinhead nesse livro.

 

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Star Wars – Legado de Sangue

Star Wars – Legado de Sangue

Passaram-se vinte anos desde que a segunda Estrela da Morte foi destruída e a Nova República teve início. Leia, é uma das senadoras mais influentes, reconhecida por seus feitos heroicos ao lado dos rebeldes, começa a repassar os possíveis erros na elaboração da constituição que uniu os planetas das orlas interna e externa da Galáxia. Teriam errado em alguma coisa ao criar um cargo suportado pelo carisma de Mon Mothma? Pois logo que ela se afastou, o senado começou a se dividir em dois grandes polos que só pensam nos próprios planetas: os centristas que acreditam em um poder centralizado militarmente e os populistas que defendem uma maior autonomia.

Cansada da política, com medo da polarização ideológica rachar o Senado e provocar o esfacelamento da Nova República, Leia pensa em se afastar do cargo. Mas antes, uma última missão: investigar uma organização criminosa que vem se fortalecendo no mundo independente dos Ryloth ao mesmo tempo que mostra para os senadores que a liberdade conquistada com a queda do Império é tênue e precisa ser cultivada de forma ampla e não adianta ficar olhando para o próprio umbigo.

A descrição dos sintomas do enfraquecimento da democracia galática observada por Leia me incomodou bastante, não por não ser bem construída narrativamente, mas pelas semelhanças com nossa atual situação política no Brasil. No livro temos jovens senadores, que não participaram da guerra que restaurou a República, que tratam o Império como um passado distante e inalcançável digno de ser colecionável. Foi difícil não lembrar dos grupos que apoiam o retorno à ditadura militar. Outro paralelo é a descrição dos mais novos senadores: extremamente conservadores e centralizadores, conquistam a população ao gritar mais alto, sem se importar com a veracidade ou não de sua fala. Alguém lembra de certos grupos que se dizem “a” políticos?

A investigação do grupo criminoso é encabeçada por Leia e Rasolm Casterfo, senadores antagônicos, mas que passam a conhecer melhor os problemas e as virtudes de cada ideologia ao aprofundar nas crenças e convicções de cada personagem. Ao acompanhando a dupla temos a hábil pilota da Espelho Brilhante Greer Sonnel, ela acompanha Leia a muito tempo, mas sente saudades da época em que se aventurava nas corridas. Korr Stella, a estagiária do Senado. Joph Seastriker, o piloto de escolta que acompanha o grupo com sua X-Wing. E o acompanhante oficial da princesa, C3PO, o droide tagarela protocolar.

Assim que o grupo volta ao senado para relatar o ocorrido e expor a necessidade de combater esse perigo iminente Leia e Casterfo se surpreendem com a inanição dos políticos e em uma jogada arriscada, a centrista Lady Carise propõe a eleição de um líder com poderes acima do Senado. E com isso vemos plantado mais uma semente para um novo governo centralizador e Leia precisa reassumir sua posição de líder e heroína para impedir que a sombra do império recaia mais uma vez sob a galáxia.

A narrativa de Claudia Gray é intensa, ela equilibra com maestria as cenas de ação e investigação com os complexos debates políticos e disputas pelo poder. Abordagem que sozinha já seria suficiente para indicar a leitura deste livro, tamanha sua relevância para o momento em que vivemos, no qual grupos conservadores extremistas estão ganhando espaço. Mas a autora vai além, e apresenta elementos essenciais para o entendimento da cronologia dos novos filmes como o surgimento da perigosa Primeira Ordem. É o segundo livro que leio desta autora nesse novo universo expandido de Star Wars (o outro foi lançado pela Seguinte, Estrelas Perdidas, veja a crítica aqui) e não preciso pensar muito para colocá-la como a melhor autora da franquia.

Lançamento recente da editora Aleph, mantém seu padrão de qualidade gráfica na escolha do papel e nos elementos de design não textuais, como as sempre envolventes páginas estreladas que nos jogam imediatamente para o cenário galático. Já é costume da editora encomendar capas próprias, e esta possui detalhes muito importante em toda composição dignos de uma análise semiótica. A ilustração, feita por Astri Lohne, mostra uma princesa Leia com idade mais avançada da que estamos acostumados a ver, cansada e sem apresentar seu sorriso sarcástico, mas ainda assim imponente. No fundo, de forma que pode até passar despercebida de olhares menos atentos, mostra que ela é assombrada por um fantasma do passado, uma sutileza magnífica, carregada de significados internos e externos à trama.

Mais um ótimo livro para acrescentar ao universo e à coleção de todo fã de Guerra nas Estrelas.

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Tormenta de Fogo | livro dois da série Executores | Brandon Sanderson

Tormenta de Fogo | livro dois da série Executores | Brandon Sanderson

Se não conhece a série Executores, confira aqui a resenha do primeiro livro Coração de Aço.

Muitos de nós já imaginaram um mundo povoado por seres superpoderosos, e por que não termos nossos próprios poderes e até participarmos de um grupo. Franquias como as das editoras de quadrinhos norte-americanos Marvel e Dc popularizaram isso no imaginário popular. Porém, nesses mundos, embora caóticos e povoado por vilões que sempre brigam por poder, existem heróis que lutam para defender os mais fracos.

Na série de Brandon Sanderson o planeta se transformou do dia para noite após um evento cósmico conhecido como Calamidade. O nome do evento não é à toa, pois ao invés de presentear o mundo com uma nova Era de prosperidade e maravilhas, ele foi transformado por aqueles que ganharam superpoderes em distopias totalitárias. Aqui vale a máxima: o poder corrompe, mas o poder absoluto corrompe absolutamente.

No primeiro livro acompanhamos o jovem David Charleston, sobrevivente de Nova Chicago que passa toda a infância e adolescência estudando os Épicos (como são chamados os superseres) à procura de suas fraquezas. Em determinado momento, consegue entrar no grupo de resistência humana, que atua como guerrilheiros urbanos matando épicos menores, conhecidos como Executores. Até que juntos reconquistam Nova Chicago matando o Épico mais poderoso do mundo conhecido como Coração de Aço.

A vitória não veio sem perdas e novas reflexões, entre as quais, David descobriu que o mundo não era preto e branco. Épicos são pessoas normais corrompidas por seus poderes, desta forma, existem Épicos que não sucumbem aos próprios poderes, logo há esperança de existirem heróis e aliados.

O segundo volume da série começa de maneira frenética, Nova Chicago estava se reorganizando com um governo humano, mas desde a queda do Coração de Aço, outros superseres tentaram aproveitar o vácuo de poder e reivindicar a cidade. Logo nas primeiras páginas acompanhamos os Executores aplicando um plano de eliminar a mais recente Épica na cidade, a elétrica Campo de Origem. A chegada constante de épicos vindos de apenas um local foi motivação para levar David e seu grupo à investigar Babilar, a Babilônia Restaurada, ou para quem já está à mais tempo na estrada, Nova York.

Essa nova cidade é governada por Realeza, que entre diversos poderes pode ouvir e controlar porções de água. Assim, o melhor modo que encontrou de dominar a cidade foi, claro, transformá-la em uma Veneza pós- apocalíptica. O que surpreende, e isso é sugerido desde os primeiros momentos do grupo em Babilar, é que a Épica parece estar tentando resistir aos seus desejos destrutivos. Assim, é interessante pensar como Sanderson aumenta a complexidade do seu mundo sugerindo que a perversão dos Épicos funciona quase como uma processão demoníaca da qual o poderoso está sujeito à sucumbir.

E assim somos conduzidos a uma trama complexa sobre livre-arbítrio e responsabilidade na qual mostra que todos estamos sujeitos à erros e acertos, nosso dever é assumi-los e enfrenta-los. Com uma narrativa linear, a leitura é rápida e se destaca na descrição detalhada das sequencias de ação, praticamente intermitentes ao longo de todo o livro. O domínio das sequencias de ação e o aprofundamento das relações entre os personagens é o que cativa o leitor a seguir em frente e embarcar nos mistérios aparentemente caóticos dos poderes dos Épicos, mas que aos poucos descobrimos o quão Épicos e humanos são parecidos, frutos de suas trajetórias e sujeitos a sofrer por suas memórias.

A pior parte do livro é o fim, não que ele não tenha sido bem escrito, muito pelo contrário. É quase impossível parar de ler a cada sequência de acontecimentos que aumentam a tensão a cada virada de página. O problema a qual me refiro é a expectativa criada no leitor que agora precisa esperar até que o próximo volume seja lançado. Por favor ALEPH, lance logo.

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Literatura | Resenha | Atômica: A Cidade Mais Fria

Literatura | Resenha | Atômica: A Cidade Mais Fria

por Lucas Ferreira

Criado e escrito por Antony Johnston e ilustrado por Sam Hart a Graphic Novel Atômica A Cidade Mais Fria (originalmente publicado como The Coldest City) chegou ao Brasil junto com sua adaptação para as telonas em uma bela edição luxuosa capa dura pela editora Darkside em seu novo selo exclusivo para quadrinhos.

No final da guerra fria, Lorraine Broughton agente do MI6, enviada para parte ocidental de Berlim, com a ajuda de David Percival (BER-1), tem a missão de resgatar a lista com nome e cargo de todos os agentes que estão em atividade em Berlim antes que caia na mão da KGB ou de outro serviço secreto. Sua missão começa dias antes da queda do muro de Berlim, após o agente britânico James Gascoine (BER-2), que estava negociando a lista com LUNETA (SPYGLASS no original), ser assassinado.



Transitando entre o passado e o presente, a história começa com Lorraine em um interrogatório após sua missão, relatando a sua versão dos acontecimentos na cidade mais fria, no meio de conspirações de agentes duplos e mercenários que atendem pelo nome de Homens de Gelo. Sem saber em quem confiar, nem mesmo em seu parceiro BER-1, busca o auxílio de pessoas fora MI6, se relaciona com um agente francês para conseguir informações, a agente Broughton usa todos os meios possíveis para sobreviver até localizar a lista.

Antony Johnston soube construir a trama com uma investigação cheia de detalhes que se copilam no final da Graphic novel em um rápido plot-twist, Sam Hart ilustra a HQ em PB com uma arte noir bem minimalista, trabalhando com luz e sombra e cenas impactantes focando nas expressões dos personagens.

A edição da Darkside ter um ótimo acabamento, a única cor que encontrada na HQ é o rosa no arame farpado ilustrado na página de guarda e o maior destaque é a capa que diferente da edição importada relançada com a capa inspirada no filme. A editora trouxe uma capa exclusiva para edição brasileira, mas infelizmente pecou em não fazer marcações nos diálogos em alemão/russo, jargões e siglas explicadas no glossário que ficou escondido no final da Graphic Novel.



Diferente da adaptação em longa metragem produzida por Charlize Theron com cenas de ação em plano sequência de tirar o fôlego, a Graphic Novel traz diálogos mais carregados, tendo apenas uma cena rápida de conflito corpo a corpo. Atômica é uma ótima HQ para quem está procurando uma história de espionagem habituada na guerra fria.

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Literatura | O Inominável por Gustavo Lopes

Literatura | O Inominável por Gustavo Lopes

Foi-se o tempo onde só podíamos ler livros no formato “papel e tinta”. Já faz um tempo que os formatos digitais como PDF, e-books ou áudio-books vem conquistando seu espaço, mas uma outra modalidade ainda pouco explorada no Brasil é a plataforma digital no estilo Netflix ou Social Comics, e com um atrativo a mais: na faixa. Recentemente eu conheci a plataforma Luvbook por indicação e achei a forma de leitura bastante agradável, vamos então ao livro, O Inominável de Gustavo Lopes.

Escrito na forma de um relato, acompanhamos Thalita em um longo monólogo contando sobre sua adolescência. Já na introdução sabemos que algo não ocorreu bem e a protagonista passa certo arrependimento, ainda que o aceite como inevitável por causa da sua idade. Uma boa sacada é a ideia da “mentalidade de quinta série” que ela define como algo que vai perseguir muitas pessoas ao longo da vida, sabe aquelas piadinhas inconvenientes ou fofocadores invejosos? Pois é, remanescentes mentais da “quinta série”.

Thalita é uma aluna mediana na maioria das disciplinas, mas excepcional em matemática que fez amizade com os “excluídos” durante o tempo de estudo na biblioteca. O trio é formado por Augusto, um gordinho gótico; Andreia, a ex-garota popular que se “rebelou” contra o sistema; e Davi, um dos mais inteligentes da escola, mas que se tornou alvo de bullying por ser de uma classe social mais baixa que os demais. Depois da rápida apresentação, a história realmente começa quando o quarteto encontra um estranho livro com páginas em branco na biblioteca, ao levá-lo para casa descobrem instruções para um ritual, encarado inicialmente com descrença, mas que com o tempo se revela bastante perigoso.

Justamente pela narrativa ser em primeira pessoa, o leitor vira cúmplice das ações e decisões de Thalita, assim passamos a acreditar e sentir o mesmo que a protagonista. Pelo cenário que é construído aos poucos, marcado pela descrença do sobrenatural, até que ele surge como verdade absoluta e mortal, me lembrou os contos de H.P.Lovecraft. Claro que tanto os elementos inseridos na trama, como a própria escrita de Gustavo Lopes, são construções mais simples que do mestre do horror, e a temática e linguagem voltadas ao público infanto-juvenil, mas a referência é inevitável.

E embora o autor consiga impregnar um bom ritmo narrativo ao longo dos capítulos, acredito que a introdução perderia ser mais enxuta, retirando algumas recorrências descritivas que se tornam um pouco redundantes. Em especial, na introdução e conclusão, o autor se estende desnecessariamente, seja na tentativa de convencer o leitor em relação à condição da adolescência no início do texto, ou da desnecessária mensagem de moral ao final que, contribuiria para o ritmo se fosse retratado com um pouco menos de enlouquecia ou repetição. Mas ainda assim, nada que atrapalhe muito a apreciação da obra que além de ser relativamente pequena, sugere o caminho para uma continuação interessante.

Outro elemento que me agradou foram as referências musicais, de AC/DC à Pink Floyd, sempre ouvidos nos trajetos de carro com o pai, dão um charme a parte, e embora frequentemente partindo de escolhas feitas a contragosto da protagonista, contribuem na ambientação da história.

Quem se interessou pela história, é possível encontrá-la para ler de graça por esse link https://www.luvbook.com.br/l/947/… Leia e depois volte aqui para conversarem sobre a história.

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