A crise afetou a Comic Con?

A crise afetou a Comic Con?

No longínquo, talvez nem tão longínquo, 2014 falar sobre uma Comic Con no Brasil era um fenômeno quase inalcançável. Ao longo de um ano, desde que o Omelete anunciou que faria sua Comic Con o público se dividiu entre apostar na ideia é duvidar até o último momento. O resultado foi extremamente positivo.

Passamos então os três primeiros anos, entre 2014 e 2016 acompanhando um crescimento de tamanho, público e prestígio. A CCXP passou a ser esperada por todos, de fãs à produtores, de quadrinhos à filmes. E seu desenvolvimento foi natural, aprendendo com os erros do ano anterior e sempre buscando melhorar até 2017. Nesta quarta edição poucos foram os acertos e muitas foram as decepções.

O Artist Alley cresceu e agora reúne mais de 480 quadrinistas, e percebemos como a produção desses artistas também amadureceu nesse tempo, tanto em qualidade gráfica, quanto editorial e de roteiro. Essa área destinada aos independentes foi e continua sendo crucial para incentivar novos leitores e criadores, além de fomentar todo um braço da manifestação cultural artística que reúne imagem com narrativa.

A logística do local também melhorou, agora o embarque e o desembarque do público passaram a ser feitos em locais separados, de forma a melhorar o fluxo das pessoas e do trânsito de veículos. Dentro do galpão temos outra boa sacada, não existe mais apenas uma área de alimentação, mas várias, que orbitam todos os stands do evento, e estas apresentam preços bem mais variados. Mas acredito que eles tenham diminuído a frota de ônibus, pois a fila estava surreal..

Porém, sempre existem poréns, principalmente com a introdução que dei ao texto era de se esperar problemas, e eles são bem incômodos. A começar pelos cancelamentos de artistas, eles sempre existem e, no geral, não é culpa diretamente da organização do evento. Eles aconteceram nos anos anteriores, mas as notícias vinham de forma homeopática, ao longo do mês de novembro normalmente, e sempre havia um plano B com alguém substituindo aquela vaga. Em 2017, no entanto, três dos principais convidados decidiram não vir mais dias antes da CCXP, levando-nos a questionar essa estranha coincidência. E pensar se tais artistas não tinham desistido antes e a informação foi retida até o último momento pela organização.

Outro grande problema, e para mim, o que mais me incomodou, foi a pobreza nos painéis. Todos os anos fica difícil escolher qual painel assistir por causa dos temas sempre interessantes que ocorrem simultaneamente. Gosto tanto de acompanhar os auditórios secundários Ultra e Prime, que sempre ignoro o queridinho Cinemark (geralmente destinado a novidades de filmes e séries, consequentemente extremamente lotado). Prefiro acompanhar os mais “intimistas” onde artistas, geralmente do meio dos quadrinhos, apresenta debates de temas atuais relacionados à sua mídia; ou os futuros lançamentos das editoras, e até aulas de desenho com grandes desenhistas/roteiristas. Em 2017 tivemos tudo isso, mas em menor quantidade, a ponto que por um dia inteiro não houve programação em nenhum dos dois auditórios menores.

Somado a isso tivemos um grande espaço para os youtubers e podcasters nos auditórios, mas eu pergunto para que? Não seria mais interessante destinar o espaço para artistas dos quadrinhos, cinema e TV? Ainda mais se considerarmos que já existia um palco específico com programação continua e independente em uma área bastante considerável do galpão da CCXP.

E para além da organização da própria CCXP, os stands também estavam mais modestos e com quase nenhuma programação própria. Dos mais interessantes eu destaco o do Omelete, que parecia um cinema e lanchonete da década de 50 esbanjando toda a glória do Art Déco Hollywoodiano. O cenário de Jumanji no stand da Sony também foi bem impactante, o menos não posso dizer para o sempre empolgante Netflix que se resumiu a uma grande marquise e ambientações de suas séries espalhadas em baixo da estrutura. A exceção foi o local destinado a promoção da nova série do Will Smith, mas era de se esperar que tomassem mais cuidado, afinal o astro viria ao evento.

Por fim não podemos deixar de reclamar das filas, elas estão cada vez maiores e insuperáveis. Minha estratégia é sempre fugir delas, não importa se elas estão relacionadas à um artista específico, ou um painel supostamente interessante, ou mesmo um stand com atividades ou simplesmente de compras. Eu fujo o máximo que dá e vou contornando com outras atividades. No entanto, alguns amigos meus passaram por umas situações complicadas: descobrir que não adianta chegar 3 horas antes do evento para entrar no painel Cinemark, você pode ficar mais de cinco horas na fila apenas para descobrir que foi feito de bobo; além disso, uma atividade no painel da HBO, Warner, ou mesmo compras na Riachuelo (!!!) podem gerar filas de três a quatro horas. Situações que impossibilitam qualquer pessoa se divertir no evento que pagou caro para ir. Não seria a hora de rever se a estrutura criada para o evento o comporta? Não temos pessoas além da capacidade segura, ou pelo menos possível para que o dia “épico” não se transforme no mais irritante do ano?

E então chegamos a um dos grandes culpados das filas, as pessoas que às furam. Claro que você pode falar que isso não tem nada a ver com a organização do evento. Mas e se eu disser que elas são institucionais: como um grupo de quase trinta cosplayers que passa na frente de todos para entrar no stand de Game of Thrones, ou mesmo os reprováveis ingressos “VIPs” que permitem aos compradores entrar uma hora mais cedo que todos os outros. Uma elitização que, além de criar público de “segunda classe”, retira horas de evento de todo o resto dos visitantes, somando sete horas a menos para quem não adquiriu esses pacotes “especiais”. Eu entendo a existência de um ingresso que entrega miniaturas e colecionáveis ou mesmo um voltado especificamente para empresários, mas não a criação de “castas sociais”.

Enfim, essa foi a CCXP 2017, com mais erros do que acertos. Esperemos que a organização repense a estratégia adotada este ano para os próximos. Pois se nas três primeiras edições acompanhamos motivados seu crescimento e melhorias, este ano de 2017 representou uma grande escorregada no quesito qualidade e transparecia. Que venha 2018 e, quem sabe, um novo fôlego para a Comic Con Experience.

 

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Chapéu do Presto Especial CCXP – lançamentos independentes de Quadrinhos Nacionais – parte 4

Chapéu do Presto Especial CCXP – lançamentos independentes de Quadrinhos Nacionais – parte 4

Bem-vindos a mais um Chapéu do Presto especial CCXP. Nesse programa selecionei mais alguns quadrinhos independentes que serão lançados na CCXP. São obras que eu ainda não li, mas achei interessante na pesquisa, seja pelo roteiro, arte ou autor que eu já li outras obras.

 

00:01:13 HellDang de Samuel Sajo e Airton Marinho (mesa A40)

00:02:18 Bikes e Sk8s de Dalton Kara e Magenta King (mesa E 25)

00:03:51 Acelera SP de Cadu Simões (mesa C 01)

00:06:12 Onsen de Caio Yo (mesa C 38)

00:07:45 As Histórias mais sem Graça do Mundo de Edegar Agostinho (mesa C 36)

00:09:29 Monstruário com roteiro de Lucas Oda e ilustrada por Mario Cau (mesa C 02)

00:11:35 Hector Lima (H28), Alexandre Dal Gallo (C 36), a Lu e o Vitor Cafaggi (H 32 e 33), Nycolas Dy (H29), Carlos Ruas (C 43 e 44), Cris Peter (D 32 e 33), Jão (G 29), Renata Rinaldi (F 37). E muitos, muitos mais.

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Chapéu do Presto Especial CCXP – lançamentos independentes de Quadrinhos Nacionais – parte 3

Chapéu do Presto Especial CCXP – lançamentos independentes de Quadrinhos Nacionais – parte 3

Bem-vindos a mais um Chapéu do Presto especial CCXP. Nesse programa e no próximo programa eu selecionei alguns quadrinhos independentes que serão lançados na CCXP. Então são quadrinhos que eu ainda nem li, mas achei interessante o que eu pesquisei, seja pelo roteiro, arte ou autor que eu já li outras obras.

 

00:01:20 Sapacoco – o ex amigo imaginário de Márcio Moreira e Débora Santos

00:05:33 Calango de Cristiano Seixas (mesa G 39)

00:07:50 Never Die Club de Marcello Fontana, Thony Sikas e Paulo Torinno (mesa E 11)

00:09:04 Contos de Pellanor de Leonardo Maciel (mesa G 21)

00:10:15 Bestiário particular de Parzifal de Hiro Kawahara (mesa G 03 e 04)

00:13:01 Velho do Papelão de Thiago Spyked (estande da Cras Estúdio)

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acesse www.tapiocamecanica.com.br

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Chapéu do Presto Especial CCXP – lançamentos independentes de Quadrinhos Nacionais – parte 2

Chapéu do Presto Especial CCXP – lançamentos independentes de Quadrinhos Nacionais – parte 2

Bem-vindos a mais um Chapéu do Presto especial, dessa vez, na iminência da Comic Con Experience, vou listar mais algumas revistas, a diferença é que só li a versão digital, pois as revistas impressas serão lançadas no evento. Confira:

00:01:15 Eudaimonia de Luciano Salles (mesa E 44)

00:04:48 Dias Estranhos por Marcus Leopoldino, arte de Diego Porto e cores de Gabriel Calfa (mesa G 34)

00:08:37 Salto de Raphael Pinheiro (mesa G31)

 

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Chapéu do Presto Especial CCXP – Lançamentos de Quadrinhos Nacionais independentes – parte 1

Chapéu do Presto Especial CCXP – Lançamentos de Quadrinhos Nacionais independentes – parte 1

Bem-vindos a mais um Chapéu do Presto especial, dessa vez, na iminência da Comic Con Experience, vou listar mais algumas revistas, a diferença é que só li a versão digital, pois as revistas impressas serão lançadas no evento. Confira

00:01:05 Diva Satânica por Brão (mesa E 27)

00:05:55 Ozman: Keres por Março Antônio Loureiro no argumento e André Freitas na arte. Além de uma história extra com desenho do Will. O Will estará na CCXP na mesa C 04 e o André Freitas na mesa D 38

00:10:07 POV – Point of View com Carol Pimentel nos roteiros e Germana Viana na arte, as duas estarão na mesa D 34


 

Chapéu do Presto (S02E13) Quadrinhos Nacionais – Parte 2 – Lizzie Bordelo e as piratas do espaço de Germana Viana, e Ozman de André Freitas

 

Chapéu do Presto (S03E03) Quadrinhos Nacionais – parte 8 – Ozman de André Freitas

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