Melhores filmes de 2017

Melhores filmes de 2017

Quais foram os melhores filmes de 2017? Igor Pontes e Presto Gaudio elegeram algumas das produções que viram ao longo do ano passado. Comente também qual é a sua lista.

Logan e Mulher Maravilha

Igor Pontes

Resolvi não escolher um dos dois como melhor, seria bastante injusto. Logan conseguiu fechar uma trilogia ruim, e terminou a saga de Wolverine de forma incrível, com uma qualidade impressionante. O filme alcançou um alto teor de drama, com uma boa história e bons atores que conseguiram dar uma nova dimensão ao aspecto de super-herói. Talvez um tom mais sério no sentido de violência e decadência, extremamente necessário e visceral. Mulher Maravilha não teve nenhuma inovação latente, inclusive é um filme bastante parecido com Capitão América: O primeiro vingador. Mas o carisma, as coreografias e a atuação de Gal Gadot conseguiram conquistar meio mundo do público que deu o braço a torcer ao melhor filme do novo Universo da DC nos cinemas. Em comparação a todos os outros filmes de supergente, certamente Mulher Maravilha e Logan conseguiram ser os melhores do ano.

Presto Gaudio

Já falei bastante sobre os dois filmes em vídeos ao longo do ano passado, mas vale a pena relembrar de alguns pontos que me fizeram colocá-los entre os melhores do ano. Depois de vários fracassos e escolhas bastante questionáveis, Logan finalmente faz jus tanto ao personagem dos quadrinhos, quanto ao ator que o abraçou nas adaptações live-action desde 1999, Hugh Jackman pode não ser a representação mais fiel do Wolverine, mas trouxe um carisma e entrega inquestionável que foi representado com louvor nesse réquiem que se passa em um futuro cínico e massacrante.

Enquanto que a Mulher Maravilha de Gal Gadot surge no espectro inverso, precisando se provar como uma produção boa e lucrativa, entrega um ótimo filme de entrada para o tempestuoso universo cinematográfico da DC. Apesar de algumas escolhas sem imaginação no ato final, todo o desenvolvimento da personagem no mundo machista e bélico do patriarcado compensa. Com linguagem leve e acessível temos aqui desde debates de gênero, como as diferentes facetas do mal que a guerra provoca nas pessoas apenas para agradar e beneficiar alguns poucos magnatas mundiais.

 

IGOR PONTES

Blade Runner 2049

Claro que há um tanto de fanboy nessa escolha, pois o filme dirigido por Denis Villeneuve não alcançou o sucesso de bilheteria, mas certamente foi aclamado pela crítica. Denis quis continuar a saga dos caçadores de androides, e para tanto criou toda uma atmosfera envolvendo histórias paralelas, anime e curtas. Toda a estrutura do filme é baseada numa lógica de afirmação do seu anterior, com brechas positivas para uma continuação. Apesar de ser longo e cansativo em alguns momentos, Blade Runner 2049 é um fantástico movimento entre cenas bem trabalhadas e um roteiro funcional com plot twist.

 

RAW

O gênero de terror e suspense ao longo do ano teve muito filme, mas em especial me chamou a atenção esse simpático (entre aspas) filme francês sobre uma moça vegetariana que se torna canibal. Raw (ou Grave) é difícil de se assistir por sua tensa carga de pressão diante de toda a situação. Nos é incompreensível, mas depois familiar. O problema desenvolvido é incontrolável, e estamos diante de algo que nos escapa. Indicado para curiosos apenas, e contraindicado para aqueles que tem medo de sangue. Facilmente um dos melhores filmes do ano.

 

PRESTO GAUDIO

Planeta dos Macacos – a Guerra

Matt Reeves não poderia ter encerrado a trilogia de forma melhor. A releitura da clássica franquia de ficção científica que chegou aos cinemas em     com certa desconfiança por parte dos fãs conseguiu surpreender e conquistar o público a cada filme. A história de César e de como nosso planeta se transformou no Planeta dos Macacos é tão verossímil que chega a dar medo e pensarmos se a humanidade não está mesmo fadada a se destruir. Tenho que destacar a evolução tecnológica da captura de movimento que criou toda a sensação de realismo que temos ao vermos os símios, a tal ponto que o nome da técnica foi modificado para captura de performance. Claro que temos que dar o devido crédito à Andy Serkins que se transforma a cada novo “Gollum” que interpreta.

 

Capitão Fantástico

A sociedade capitalista está em decadência, só quem não vê isso são as pessoas que estão lucrando com a crescente exploração dos mais fracos. Mas como seria viver fora desse sistema? Em Capitão Fantástico, Viggo Mortensen é um pai de família que vive à margem da sociedade com seus filhos em uma floresta, vivendo da caça e de suas habilidades manuais. Mas não pense que as crianças não estão sendo educadas, pois o nível de esclarecimento e argumentativo deles é de fazer inveja aos mais “cultos” universitários. Porém, chega o momento de encarar o mundo e então os conflitos começam. É um filme que questiona nossa realidade e diferentes modelos de sociedade, com ótima fotografia, direção e atuação. Assista.

 

Your Name.

A batida história da troca de corpos atingiu um novo patamar nessa animação japonesa que mistura comédia, suspense, drama e, porque não, ficção científica. Como a trama é fundamentada em viradas de roteiro, especialmente duas que deixam de queixo caído, não quero me estender na descrição da trama. Mas acho que vale a pena falar sobre a forma delicada que o diretor Makoto Shinkai teve ao apresentar a interação entre dois adolescentes de mundos completamente diferentes, mas que ansiavam por mudanças. Quero só deixar duas dicas: fique atento ao cometa que aparece como pano de fundo ao longo do filme e, pulem a introdução do filme onde toca a música e fica passando os créditos, sério, quem já assistiu o filme vai entender do que estou falando.

 

O Bar.                     Uma das boas surpresas do ano, ao escolher um filme despretensiosamente na enorme lista do Netflix eis que me deparo com O Bar. Tudo começa como um entediante dia normal com os clientes aparecendo para o café da manhã, até que uma pessoa, ao pisar na calçada leva um tiro e morre. O pânico se instaura dentro do estabelecimento e teorias conspiratórias começam a ser elaboradas colocando uma pessoa contra a outra. Neste filme espanhol, que vai da comédia ao terror em uma escalada de mão única à tensão, conquista o público pelos personagens que são forçados ao limite restritos à apenas dois ambientes: o bar e seu porão.

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Piores filmes de 2017

Piores filmes de 2017

Dando continuidade ás listas de melhores/piores (qualquer coisa) de 2017, chegou a vez de apresentar os piores filmes de 2017. Como sempre menciono, listas são super complicadas de fazer pois, se a interpretação é subjetiva, ordenar a subjetividade é ainda mais subjetivo (sim, fui redundante de propósito). Desta vez eu (Presto Gaudio) e o Igor Pontes apresentamos as maiores decepções com o cinema no ano de 2017. E você? Concorda? Discorda? Comente a baixo se vocês gostaram ou não desses filmes e coloque a sua lista de piores.

IGOR PONTES

Durkirk

O trabalho preguiçoso de Nolan rendeu um filme tedioso de guerra. Críticas e reclamações não faltaram, assim como aqueles que adoraram e amaram o filme. As diversas tentativas de trazer o jeito Nolan de ser a um filme de guerra foram em suma apenas isso: tentativas. Ficou aquém de tudo que havia sido produzido antes sobre, tentou reinventar ou algo do tipo, mas acabou sendo um filme meia boca.

 

Get the girl

Apesar de ter passado longe dos cinemas, o filme de Eric England conseguiu facilmente ser um dos piores do ano. A história de um sequestro falso que acaba em confusão e mortes tem todas as ferramentas do filme mais tosco do ano. As atuações ruins, o roteiro ruim e a história ruim

 

Bright

Todo um potencial jogado na lata do lixo. Seria melhor uma série? Essa pergunta fica no ar. O filme de David Ayer teve um intenso marketing proposto pela Netflix como um filme original. Meses e meses de trailer, músicas, propaganda. O resultado foi desastroso. Ayer criou uma mistureba que no final das contas não consegue lidar com o objetivo proposto. Saudades do Ayer de Um dia de treinamento.

 

PRESTO

Ghost in the Shell

Uma grande decepção logo no início do ano. Nunca fui fanboy de Ghost in the Shell, apenas tinha assistido as animações quando criança, mas fui conquistado assim que li a versão original em mangá publicada pela JBC. A forte presença de discurso político na trama policial ambientada em um futuro distópico tecnológico exigia um filme com maior profundidade. Infelizmente a versão dos cinemas se esquivou tanto do caráter de discussão política do quadrinho, quanto do filosófico reflexivo sobre a condição humana das animações.

 

Alien Covenant

Mesmo sem criar expectativa, o filme é uma decepção. É engraçado como uma franquia que conquistou fãs pela inventividade e ineditismo dos primeiros filmes, agora consegue ser lembrada apenas pela burrice dos personagens que sobrevivem apenas o suficiente para o filme atingir a duração de um longa metragem.

 

Lalaland

Eu me pergunto o que viram nesse Lalaland? Gosto de musicais, mas achei esse tão superestimado e pretensioso que precisava entrar na lista das maiores decepções do ano de 2017. O filme apresenta uma historinha batida com dois personagens sem carisma com atores completamente perdidos. Considero um mico de 2017 que quase roubou o melhor filme de uma obra que realmente mereceu seu prêmio.

 

Thor Ragnarok

Um grande potencial de história e desenvolvimento de personagens desperdiçado em piadas sem graça. Nesse terceiro filme do deus do trovão da Marvel, acompanhamos uma sucessão de gags de humor bobas que tiram todo o peso dramático dos acontecimentos que seriam mais impactantes como a morte de amigos e entes queridos.

 

Assassin’s Creed

Estariam os filmes baseados em franquias de games fadados ao fracasso? Parece que, ironicamente, ninguém acerta a mão em transpor uma mídia que à muito tempo bebe da estética e recursos cinematográficos. Infelizmente o diretor de Assassin’s Creed se perdeu na possibilidade visual e narrativa que a franquia demonstra nos jogos digitais e não conseguiu entregar nem uma trama que interesse e envolva o espectador e nem cenas de ação empolgantes.

 

 

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As melhores séries de 2017 segundo os redatores do TM

As melhores séries de 2017 segundo os redatores do TM

Parece que entra ano e sai ano, o número de seriados passando na Tv (e agora nos sistemas de streaming como Netflix, Hulu e similares) é cada vez maior. Nesta lista elaborada por alguns dos redatores do Tapioca Mecânica podemos identificar um pequeno exemplo da diversidade de temas e abordagens que vem despontando a cada ano. Confira então as melhores séries do ano de 2017 segundo Gambit Dance, Tatiana Ferreira e Presto Gaudio, e depois comente qual foi a sua.

Gambit Dance:

Certamente esse foi o ano da minha vida em que eu mais vi séries. Nunca tive até então essa experiência de fazer maratonas. Então, como esse é um hábito relativamente novo, me perdoem as possíveis falhas. Como comecei há pouco, apelei pra nostalgia e acabei que vi muita coisa que não foi lançada esse ano. Então resolvi deixar essas de fora e escrever apenas sobre o que é novidade. Foi difícil escolher apenas quatro, então vamos da que menos gostei para a que mais gostei. Sendo elas:

  • STRANGER THINGS:

Netflix descobriu que os anos 80 estão em alta desde que acabaram os anos 90. E nunca mais saíram de moda. Aqui, depois de fazer pesquisa para descobrir o gosto do público a fórmula foi certeira. A segunda temporada, infelizmente, não supera a primeira. Como era de se esperar ficam muitas pontas soltas para segurar o espectador para a próxima temporada. Mesmo assim a série continua cativante, com personagens carismáticos, um visual atraente e uma história intrigante que nos prende a ponto de só desligar a TV depois de ver todos os episódios em sequência. Ficção científica de primeira!

  • AS FILHAS DO DESTINO:

Esse documentário mais parece um longa que foi divido em quatro partes. Com a fantástica história de quatro jovens garotas indianas que estudam em uma escola que ajuda famílias da casta mais baixa daquele país: os Dalits. Filmado durante sete anos, podemos acompanhar o desempenho das garotas na vida acadêmica, assim como os enfrentamentos de ser, não apenas mulher, mas também fazer parte dos “intocáveis” de sua terra. Comovente ao extremo, a série nos dá um choque de realidade sobre os privilégios que muitas vezes esquecemos que possuímos. Você não vai terminar de assistir “As Filhas do Destino” sendo a mesma pessoa que era quando começou.

  • AS TELEFONISTAS:

Se você é uma senhora noveleira que passa meses da sua vida assistindo quatro, cinco novelas por dia, de segunda a sábado, certamente vai se apaixonar por essa série espanhola. Se não for, vai se apaixonar também. Uma série no melhor estilo novelesco com episódios abarrotados de suspense e reviravoltas a todo momento. É bem frenético! São vilões e vilãs que daqui a pouco serão aliados. Tramas amorosas, assassinatos, segredos e, claro, momentos bem descontraídos.

O texto dessa série é primoroso e quem escreve sabe o que o espectador espera ouvir. Não há como não se apaixonar pelas protagonistas e torcer por elas. A única falha é que alguns plotes são muito modernos para a época em que são tratados. A segunda temporada da série se passa em 1929 e já temos debates sobre poliamor, transexualidade, mulheres com sexualidade bem resolvida e temas que parecem tabus para algumas pessoas até nos dias de hoje. Mas olha, é cada tapão na cara que esse pessoal leva!

  • OS CAÇADORES DE TROLLS:

Desculpe se meu lado criança fala mais alto nessas horas, mas “Caçadores de Trolls” foi uma agradabilíssima surpresa. Fazia tempo que eu sentia falta de uma boa animação ocidental que fosse “seriada”. Existem bons desenhos ainda hoje, mas convenhamos que para quem não tem muita paciência em baixar desenhos na rede, tá ficando cada vez mais difícil assistir “Stiven Universe”, “Gumball” já não é mais o desenho que era e “Irmão do Jorel” é quase impossível de encontrar (e eu não assino o app do Cartoon Network, então…).

Por isso, “Caçadores de Trolls” salvou minha vida. Netflix possui uma gama maravilhosa de animações japonesas, mas deixa a desejar quando se fala cartoons. A animação de Guilhermo Del Toro tem muita ação. E nem por isso é um desenho “para meninos”. Personagens cativantes, ótimo suspense e uma personagem feminina incrível. A segunda temporada veio com cenas primorosas que me deixaram tenso como se assistisse “Mad Max Fury Road”. Eu, particularmente, estou desesperado pela terceira. E é isso!

Tatiana Ferreira

2017 foi o ano em que, mais uma vez, David Lynch zerou a televisão com o seu magnum opus: Twin Peaks. E falando em clássicos que voltaram, Samurai Jack foi a grande surpresa do ano no qual Genndy Tartakovsky fechou sua grande obra explorando três conceitos foram ao seu máximo e eu só espero que ele volte logo com um novo projeto. Enquanto que nas novidades tivemos outras grandes produções das quais destaco Glow sobre os bastidores da luta livre feminina e Legion que abusou da multiplicidade de elementos narrativos e técnicos para demonstrar toda a complexidade da mente múltipla do protagonista

  • TWIN PEAKS

Quando Twin Peaks estreou em 1990, a crítica e até mesmo os comentadores populares descreveram como: “nada parecido na televisão”. Estamos em 2017 e essa frase ainda se mantém, ou melhor, se intensifica: “David Lynch rebootou a televisão”.

Trazendo de volta a querida e bizarra cidade, Twin Peaks: The Return, nos traz de volta junto com Dale Cooper numa jornada de retorno para a cidadezinha em Washington. Como sempre, Lynch cria uma atmosfera onírica carregada de simbolismo e mistérios, mistérios esses que nos fazem perguntar novamente: “quem matou Laura Palmer?”.

  • LEGION

Noah Hawley, o mesmo cara responsável por outro clássico da TV que é Fargo, nos apresenta um dos mutantes mais obscuros que existe: David Haller, um personagem que seu “poder” é ter várias personalidades dentro de sua mente (mas seu real poder é ser filho de Charles Xavier e ser um mutante nível ômega). Por conta disso, suas histórias eram desenhadas e escritas explorando diversas maneiras de contar uma história psicodélica. Então como trazer para o audiovisual? Bem, Noah Hawley procurou o equivalente explorando a história do audiovisual: efeitos práticos, CGI, cinema mudo, cinema experimental, animação, isso tudo é usado para contar a história em Legion e nos trazer próximos das páginas em Novos Mutantes. Em 15 anos de material mutante no audiovisual, Legion é a coisa mais fantástica que já fizeram.

  • GLOW

GLOW foi a minha favorita do serviço de streaming (é tanto que até hoje revejo algumas partes, inclusive, enquanto faço essa lista), baseada no antigo programa de luta livre feminino, G.L.O.W (Glorious Ladies of Wrestling) mostra uma ficção dos bastidores do programa e os dramas para legitimação da luta livre feminina, que antes era mais visto como um campeonato menor de “mulheres machos”. Com um elenco completamente feminino (tirando o Marc Maron), GLOW é mais do que importante em mostrar a força em diversidade e que WWE feminino não é somente fetiche.

  • SAMURAI JACK

Quem algum dia imaginou que veríamos o fim da jornada de Jack em terras de Aku? No mesmo caso que Twin Peaks, que nunca pensávamos em ter uma conclusão, em 2016 foi anunciado a continuação.

Samurai Jack era um desenho que estava adormecido na minha infância e por conta dele que virei fã do animador Genndy Tartakovsky.

Em 2002, Samurai Jack era bem diferente do que vimos em estilo, formato e narrativa, parecia um desenho para adultos. Ao ver agora em 2017, não somente o encorpamento no trabalho de autor, mas também a força de uma história.

Essa quinta temporada foi um adeus a altura e primor do qual a série sempre partilhou em conjunto da fluidez nas novas tecnologias de animação atuais.

 

Presto Gaudio:

O ano de 2017 foi recheado de novidades surpreendentes e retornos nada frustrantes. Para mim representou o ano do streaming, pois finalmente assinei a Netflix e fui recompensado com uma série (perdoem o trocadilho) de séries originais. Pela minha contagem foram 46 temporadas distribuídos ao longo de 35 programas. Foi um bom ano e que venha 2018.

  • THE HANDMAID’S TALE

Com elenco estelar, The Handmaid’s Tale adapta o livro de ficção social de Margaret Atwood. Ele surpreende com a forma como nosso presente é reinterpretado para um local dominado por machista onde as mulheres são categorizadas como esposas ou procriadoras. Uma descrição que infelizmente assombra pela similaridade com a atualidade, na qual minorias são perseguidas em nome da “família e dos bons costumes”, mas que na realidade estão preocupadas em manter o poder e o status quo.

  • ORPHAN BLACK

Desde 2015 que Tatiana Maslany atropela os paradigmas da interpretação. Logo de cara somos apresentados a cinco personagens fisicamente iguais, todos feitos por Tatiana, mas cada uma com uma identidade única. Ao longo das temporadas a trama de clonagem vai se tornando cada vez mais complexa e a atriz entregando mais e mais versões de si mesma até o canto do cisne nesta quinta e última temporada. Tudo embalado em uma envolvente história de teorias conspiratórias para domínio mundial e clonagem, muita clonagem.

  • LEGION 

Esta não é uma série de super-heróis fácil, na realidade não é nem uma série de super-heróis. Inspirado em um personagem não muito conhecido do universo mutante, Legion abandona a ideia de mocinhos e vilões e mergulha na psique complexa de um protagonista esquizofrênico e super poderoso. Devo admitir que o programa não me conquistou logo de cara e tive que persistir, mas a perseverança foi recompensadora.

  • DARK

Uma ótima surpresa de fim de ano, lançada pelo sistema de streaming Netflix no início de dezembro, Dark conquista o espectador pelos mistérios inseridos na trama a cada minuto. Tudo começa em uma cidadezinha pacata no interior da Alemanha, e então se desenvolve para uma intrincada trama de viagem no tempo que se utiliza tanto de regras consagradas no cinema como cria novas normas e consequências para os saltos temporais. Dica, anote todos os nomes e construa uma árvore genealógica para cada personagem.

  • STRANGER THINGS

Fenômeno instantâneo em 2016, Stranger Things misturava elementos de terror com aventura infantil na década de 1980. Funcionando como homenagem, mas conquistando o publico pelo carisma dos personagens, a segunda temporada teve algumas críticas relacionadas à falta de originalidade em relação ao ano anterior. A esperada diminuição na sensação de ineditismo foi compensada pelo desenvolvimento maior de todo o elenco, fazendo com que a audiência se dividisse entre seu protagonista de preferência que, além de enfrentar monstros de um universo paralelo e cientistas malvados, agora recebia a participação especial de outro ator símbolo do universo infantil da época, Sean Astin dos Goonies, ou mais recentemente Senhor dos Anéis.

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Song to song (Terrence Malick) O que é real e o que não é?

Song to song (Terrence Malick) O que é real e o que não é?

Por Liana Oliveira

A mais nova película de Terrence Malick, bastante aclamado por seu estilo excêntrico, parece uma continuação da mesma temática que ronda A árvore da Vida: amor, perdão, Deus e redenção. Se no primeiro filme o diretor retratou uma família norte americana dos anos 50 bastante tradicional, a sua mais nova obra é atual, cruel e, principalmente, real.

Song to song ( De canção em canção em português) tem como ilustração a vida de Faye (Rooney Mara), uma aspirante a artista, BV (Ryan Gosling), um talentoso compositor, Cook (Michael Fassbender), um produtor magnata e Rhonda (Natalie Portman), uma garçonete. Apresentado os personagens, é preciso falar com sinceridade, o filme não tem nenhum clímax, nem apresenta uma trama linear, sua composição parece muito mais documental do que cinematográfica. Se eu pudesse resumir essa peça em poucas palavras diria que é como se uma câmera tivesse sido colocada em pontos estratégicos e esquecida por lá, filmando a vida real.

Desde Closer-Perto demais, acredito que as relações humanas nunca tinham sido tratadas com tanta verossimilhança e fidelidade com as nossas próprias vidas. Basicamente os quatro personagens apresentados vivem em busca de um propósito e, por não o encontrarem, embarcam em relacionamentos pelas circunstâncias erradas, o que é esse propósito?

Pela excentricidade da direção, e do formato do filme, ele apresenta mais pensamentos do que diálogos, pensamentos dos personagens em relação às situações vivenciadas, e aqui é, para mim, um dos pontos altos de reflexão do filme. Existe uma ponte na comunicação entre o que a gente pensa e o que a gente fala, atravessar essa ponte é falar aquilo que se está pensando, mas o que acontece quando a gente não atravessa essa ponte? Falando de forma mais clara, o que acontece quando a gente age diferente daquilo que a gente pensa? Auto traição, e contra essa não há muitos remédios, é impossível, em vida, fugir de si mesmo.

Regados a festas, mansões, dinheiro e poder, o clichê do narcisismo moderno, não é esse ponto exatamente que nos faz perceber o vazio existencial no qual os personagens estão inseridos. Quando temos acesso aos seus pensamentos, e isso, sem dúvidas, é um dos pontos altos dessa obra, entramos em contato direto com um existencialismo profundo que, quando reflete diretamente no narcisismo e hedonismo das atitudes vazias e superficiais, e não há LSD, sexo, prostitutas, fama ou dinheiro que consiga aplacar esse sentimento. Citando, novamente, o velho Bukowski: “Vai ter horas, dias e meses em que vai se sentir absolutamente terrível e que nada vai poder mudar isso, nem novas namoradas, profissionais de saúde, mudanças de dietas, drogas, humildade ou Deus”. O vazio é implacável, e nossos personagens estão furiosos por isso e, principalmente, correndo como loucos para alimentar a fornalha que existe dentro de si, não há alma.

Faye, interpretada lindamente pela Rooney Mara, está em busca, nas palavras dela, de sentir algo real, então ela se apega a dor e a perversão, buscando qualquer coisa que a faça sentir qualquer coisa, não importando o que isso seja. Em um de seus pensamentos, pra mim o mais impactante, ela diz: “Houve um período em que sexo pra mim precisava ser violento. Estava desesperada para sentir algo real. Nada parecia real.” Ela vive em um marasmo completo, cometendo uma série de erros que só fazem mal a si mesma, e o que há de pior nesse mundo do que se ferir?

Rhonda, a linda Natalie Portman, representa, mais uma vez, a busca de contato, qualquer contato, de Malick com Deus, assim como em A árvore da vida, o diretor procura mais uma vez contatar um Ente divino, em busca de respostas. Isso não é novidade alguma na história da sétima arte, Bergman dedicou muito da sua obra a tentar achar Deus, e concluiu que Ele nunca se revelaria para o diretor. Mas nesse filme é diferente, ao contrário do aparente fracasso do diretor sueco em contatar Deus, ou alguma outra divindade, Malick mostra que um contato com um ente superior é o único momento de conforto, mesmo que depois você seja, mais uma vez, aplacado pelo vazio terrível, Malick encontra Deus.

Rhonda se submete a uma série de coisas que, na sua visão, a tornam uma pessoa má, mas, assim como Faye, ela só está prejudicando a si mesma. Qual o motivo de se ferir ser tão doloroso? Mais uma vez, não podemos fugir de nós mesmos, nunca. Ela tenta acreditar em algo, Cook, seu relacionamento amoroso, deseja veemente soltar os grilhões que a atormentam, mas só ela pode fazer isso, é uma trajetória interna, pessoal e intransferível.

Mais que um filme, Song to Song é um tratado sobre a fragilidade humana, principalmente quando não respeitamos nossos próprios limites e valores. Não há nada mais desonesto que desrespeitar a si mesmo e, nesta obra, infelizmente, nenhum dos personagens tem muito comprometimento com sua própria integridade psicológica, ou física. É um círculo vicioso, se sentem vazios por ferirem suas respectivas almas, ferem suas respectivas almas por se sentirem vazios. Como por um fim a isso?

Em tempos de pós verdade, relativização de valores e efemeridade de relacionamentos, ou, como muito bem resumiu o título da obra, de canção a canção, esse filme resumiu, muito lindamente, ao meu ver, o que acontece quando o homem é destituído de qualquer parâmetro ético em busca de maximizar a experiência sensível da vida, em busca do sentir algo real. Nada mais irreal e infeliz do que perseguir um sentimento, ou sensação, momentânea e que você a faz abdicando da sua vontade em nome de um suposto feeling que irá trazer o propósito que a tanto tempo se está procurando.

Em 1927, Virginia Woolf lançou o livro Ao Farol, o farol, supostamente de Godvrevy, representa onde queremos chegar, a trajetória que precisamos percorrer para isso. Como naquela frase “para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve”, nossos personagens se perderam, dilaceraram a si e aos outros, Ian Curtis já sabia disso quando escreveu Love will tear us apart.

Aonde meu farol me leva?

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Uma análise sobre: O Clube dos Cinco

Uma análise sobre: O Clube dos Cinco

Por Augusto FIlho

Fala jovens, blz?!

Vamos viajar no tempo e falar sobre um dos filmes clássicos dos anos 80   O CLUBE DOS CINCO. A década de 80 foi responsável pelo surgimento de inúmeros filmes “adolescentes” ou high school que marcou na vida de muitas que assistiam na Sessão da Tarde. O Clube dos Cinco se destaca por apresentar esse gênero de forma um pouco diferente do que era apresentado na época. John Hughes, roteirista e diretor que marcou esse período com clássicos da comédia adolescente como Gatinhas e Gatões e Curtindo a Vida Adoidado, realizou aqui uma de suas maiores obras.

A sinopse é bem simples: cinco estudantes são mandados para a detenção, cada um representa um tipo diferente de colegial: o nerd, o esportista, o valentão, a patricinha e a garota bizarra. Passar pleno sábado dentro do colégio soa horrível, assim, tentam enganar o diretor e se divertir dentro do colégio, onde começam a compartilhar sentimentos e descobrir que, apesar de diferentes, todos eles possuem mais coisas em comum do que imaginam.

O longa tem um excelente desenvolvimento dos personagens, todos muito bem trabalhados e equilibrados. Os personagens são bastante carismáticos, onde o telespectador consegue se ver em todos aqueles jovens e simpatiza até mesmo com o “malandrão” de John Bender. (Judd Nelson , que fez uma grande atuação e roubou quase todas cenas do filme). O filme se passa no clima bem simples e divertido, interessante que os personagens deixam o ambiente bastante confortável.

A melhor cena do filme ocorre no momento em que os personagens começam um diálogo no chão da biblioteca, e o mais surpreendente: foi total improvisações dos atores, cada um falou de seus dramas, traumas e problemas com os pais, algo que era muito comum entre os adolescentes da época em que o filme foi lançado, e continuam sendo comuns até hoje passam!

Hughes escreveu o roteio em dois dias, um roteiro simples e muito bom.

O Clube dos Cinco, como já falei, é um filme simples, mas totalmente incrível, não tenho nem muito que dizer, apenas que vocês assistam. O filme já foi escolhido como um dos 500 filmes melhores filmes de todos tempo, pela revista Empire de 2008. Vou falar mais uma vez, ASSISTAM ESSE CLÁSSICO.

É isso jovens, espero que vocês tenham gostado, FLW FLWS até mais…

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